quarta-feira, 17 de abril de 2013

Arco Íris


as cores não me mostram o que eu quero ver
o céu é preto e branco o tempo inteiro
eu sinto que onde estou nunca vou crescer
e vivo na plateia enquanto quero o picadeiro
meus pés estão no chão
mas minha mente está em qualquer outro lugar
então levanto minhas mãos
e mesmo que por um segundo, sinto que posso voar

se eu pudesse voar ou tocar o vento
onde eu gostaria de estar
um lugar onde sei da força que tenho
e utopia não é só sonhar
eu não sei quanto tempo vou ter que esperar
pra alcançar o que é pra mim
um arco íris de cores que eu posso enxergar
e meus sonhos no fim.

Rosana



um minuto a mais, uma garrafa a mais
olhos abertos, mais um sonho se desfaz 
num quarto escuro, um suspiro a mais 
mergulhado no silêncio de uma noite que se vai 


mesmo o sol já não traz paz 
é só um dia começando a acabar 
é na noite em que tem tudo a perder 
mas só na noite, é possível ganhar 


uma moeda a mais, mais um golpe vem 
machucando sua alma, ela pode perceber 
já não lembra se um dia foi alguém 
mas sabe que agora é só metade de um ser 


um toque a mais, o corpo estremecer 
é só o que tem e o que pode oferecer 
um olhar a mais, um cliente mais 
e a cada noite, ela volta a morrer

sábado, 9 de março de 2013

Poeta



Eu não sou poeta
sou mais um ser deprimido
saí de casa escondido
pra caminhar na linha do trem
tem dias que eu não vejo
mais sentido em tudo isso
mas vou até onde eu consigo
da liberdade eu sou refém

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Você não

Eu já chorei e você me consolou
chamei e você veio correndo
enchi sua paciência e você não se afastou
fui pra bem longe e ainda continuei te vendo

você não é tudo que preciso, mas é mais do que mereço
pra te ter por perto, eu sei que pagaria o preço

chame de amizade ou do que quiser
o que importa não são rótulos, mas o que se sente
o que temos pra lembrar no fim do dia
sonhar de madrugada ou só pensar um pouco
sempre despertando sorrisos que eu nem sabia que tinha

você não é tudo que preciso, mas é mais do que mereço

um abraço apertado de saudade
é o mais querido em meu coração
na penumbra, é dita toda e qualquer verdade
e então me perco pra te ter em minhas mãos

mas você não é tudo que preciso.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pirando...

Assim, todo mundo sabe que alguns meses do ano tem 30 dias, enquanto outros tem 31, apenas o pobre Fevereiro não tem um nem outro, tem só 28 e no máximo 29, de quatro em quatro anos. Eu fico imaginando o quanto o coitado de Fevereiro deve se sentir excluído por isso... Então, imagina se a gente pegasse dois meses que tem 31 dias, aí tirava um dia de cada um (eles ficariam com 30 dias cada um) e esses dois dias a gente colocava em Fevereiro (que também ficaria com 30 dias, então T-O-D-O-S os meses do ano teriam 30 ou 31 dias, sem nenhum excluído como Fevereiro... Por último só faltava redefinir o ano bissexto, que sempre acrescenta um dia em Fevereiro, mas no lugar de Fevereiro ter 31 dias em anos bissextos, Dezembro teria 32 dias, já que ele é o último mês do ano e ainda ficaria sendo o tal, o que de fato ele já é, sendo o mês com que as pessoas mais falam, ele já deve se achar muito popular... De qualquer forma, o dia 32 de um mês seria um dia único no calendário, seria muito massa, pelo menos eu acho.
E é isso, só pra não perder o costume ;)

Até a próxima...

domingo, 25 de novembro de 2012

Ei, seu presidente!

Ei, seu presidente
o senhor tá vendo essa gente?
aquele povo que te elegeu
o senhor lembra o que prometeu?
tijolo pra casa, comida barata
e acima de tudo um lugar pra morar
mas veja só, eles ainda estão lá!
Debaixo da ponte, vivendo aos montes
implorando por comida para não perder a vida

Ei, seu presidente, tá sendo bem tratado?
comida na geladeira, gasolina no carro
e se tiver frio liga o aquecedor
se não fosse trágico, seria até engraçado
que o jornal que o senhor leu e depois jogou
é aquilo que eles usam como cobertor

Ei, seu presidente, lembra de onde veio
ou esqueceu suas raízes, seu povão?
Saiba que aquelas pessoas nem sabem pra onde vão
não sabem quando ou se vão comer
eles não sabem nem se vão sobreviver

E enquanto o senhor faz planos pra festas
viver um dia por vez, pra eles é só o que interessa
eles confiaram em você, acreditaram em suas promessas
e o que ganharam em troca?
indiferença e alguns ladrões pra tratá-los como idiotas

Seu presidente, seu saldo no banco como tá?
você gosta daquele valor, satisfeito com os zeros que vê?
sabe que aquela gente implora a Deus por favor
"uma moeda para o pão, para o meu filho não morrer"
e enquanto tua turma tem dinheiro no bolso
teu povo nem tem roupa pra vestir.

Por que o senhor não larga o avião
e usa o dinheiro para o povo ter onde morar
eles não querem um iate, mas que tal um pouco de dignidade?
se não quer dar o peixe, então ensina a pescar
dá saúde, emprego, educação
dá futuro, esperança, uma razão
para de fingir que não é contigo
tira as mãos dos teus ouvidos e escuta os gritos!
O povo do teu país tá chorando
o senhor não vê que eles estão morrendo?
acabou a perspectiva, estão padecendo

Ei, seu presidente, tá vendo esse povo
que te colocou aí pra trabalhar?
e só estão vendo uma minoria enricar
mas os pobres é que são a maioria
alguma coisa tem que acontecer
alguma coisa tem que ser feita
escuta, presidente! Acorda, presidente!
tá ouvindo o clamor da tua gente?




(Original de Abril/2011)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Coisas que eu escrevo #2

Quando eu tinha oito anos de idade, fui ao primeiro funeral que eu lembro. Minha mãe perdeu uma batalha contra o câncer que já se arrastava por quase dois anos.
Eu não lembro muitas coisas daquele dia. Lembro de não ter olhado dentro do caixão, atendendo ao último pedido da minha mãe. Eu estava com raiva do meu pai porque não me deixou usar o vestido rosa que eu havia ganhado no último aniversário, em algum momento eu apenas deixei de tentar entender e apenas aceitei que teria de usar preto.
Todo o resto continua na minha mente, mas apenas como um borrão, as pessoas, os barulhos, a chuvinha fina que começou perto do final, como lágrimas que caíam do céu para se misturar às lágrimas dos que estavam presentes.
Mas entre tudo, o que eu mais me recordo é do Rafa segurando minha mão, meu melhor amigo de sempre que estava lá do meu lado, mais tarde eu descobriria que a mãe dele insistira para que ele não fosse. Só que ele foi e ficou ao meu lado sem dizer uma palavra, sem invadir meu espaço, mas se eu precisasse eu podia apertar a mãe dele. E horas depois, quando tudo havia terminado e eu finalmente consegui chorar, ele ainda estava por perto pra me abraçar, em silêncio, apenas me bastava saber o quanto ele estava lá por mim.